Para um estudo crítico da Introdução à Economia de Gregory Mankiw – Parte I

Marcus Bernardo Aquele que, sendo marxista ou do campo da esquerda radical de modo geral, decide se dedicar ao estudo da economia, encontrará dificuldades e limitações crônicas insuficientemente enfrentadas pelo…

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O “Problema da Transformação”: Böhm-Bawerk e Bortkiewicz refutaram Marx?

Por muito tempo, a ciência econômica – admitamos, sempre burguesa – convenceu-se de que a teoria econômica de Marx se tornou ultrapassada: ela teria sido definitivamente enterrada pelos esforços da Revolução Marginalista, cuja teoria, contrastando-se com seus antecessores, não admitia que as três grandes classes da economia política clássica, a saber, os capitalistas, os trabalhadores e os rentistas, disputavam um fundo comum de riqueza que pudesse ser apropriada sob diferentes formas, e principalmente, não admitia que essa disputa existia sobre bases intrinsecamente políticas, baseada no conflito e na oposição dos interesses dos agentes. Para a novíssima ciência econômica, a distribuição da riqueza intermediada pela utilidade marginal, pelas preferências subjetivas e pela competição garantia que cada agente se apropriava exatamente daquilo que lhe pertence por direito, ou em outras palavras, garantia que cada fator de produção era remunerado de maneira proporcional à sua participação no processo produtivo.

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A lei de Say, as crises capitalistas e a crítica marxista

A lei de Say – também conhecida como lei dos mercados – sustenta, basicamente, que toda oferta cria sua correspondente demanda. Isso significa que, enquanto houver produção (oferta), haverá uma demanda compatível por esses produtos. Aprofundando-se agora no que escreveu Say, distinguem-se duas formulações de sua lei. A primeira afirma que os produtos são adquiridos oferecendo-se outros produtos. Nas palavras de Say, “aqueles que compram, não compram de fato, mas com produtos” (p. 111, cap. 15, livro 1). Estritamente, tratar-se-ia de uma economia em que desapareceu a diferença entre venda e compra. É uma hipotética economia de escambo, na qual venda e compra são idênticas. Sublinhamos o caráter hipotético porque, na realidade, uma economia descentralizada de escambo generalizado só existe na imaginação (ou na microeconomia do mundo acadêmico). Say, de todo modo, tampouco problematizou essa questão e simplesmente declarou que os produtos se trocam por produtos.

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