O “Problema da Transformação”: Böhm-Bawerk e Bortkiewicz refutaram Marx?

Por muito tempo, a ciência econômica – admitamos, sempre burguesa – convenceu-se de que a teoria econômica de Marx se tornou ultrapassada: ela teria sido definitivamente enterrada pelos esforços da Revolução Marginalista, cuja teoria, contrastando-se com seus antecessores, não admitia que as três grandes classes da economia política clássica, a saber, os capitalistas, os trabalhadores e os rentistas, disputavam um fundo comum de riqueza que pudesse ser apropriada sob diferentes formas, e principalmente, não admitia que essa disputa existia sobre bases intrinsecamente políticas, baseada no conflito e na oposição dos interesses dos agentes. Para a novíssima ciência econômica, a distribuição da riqueza intermediada pela utilidade marginal, pelas preferências subjetivas e pela competição garantia que cada agente se apropriava exatamente daquilo que lhe pertence por direito, ou em outras palavras, garantia que cada fator de produção era remunerado de maneira proporcional à sua participação no processo produtivo.

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